O Radio Dept. vem ao Brasil para apresentar seu último trabalho, Clinging to a Scheme. Depois de quatro anos em silêncio, o terceiro álbum é, sem dúvida, um dos melhores de 2010 –daqueles que nem todos os anos temos o prazer de encontrar e que, inevitavelmente, não massificam, perdendo espaço para alguma guitarra estridente ou bateria nervosa, o que nada tem a ver com a beleza nostálgica e emotiva das canções do trio. Segundo a Pitchfork, o disco foi o melhor na categoria “Best New Music”, de 2010.

Os suecos lançaram seu primeiro disco, Lesser Matters, em 2003, e assumiram o 9º lugar dos 50 melhores álbuns pela NME. Ou seja, já começaram bem. Além da boa recepção da crítica especializada, houve outro fator que ajudou na popularização do grupo. Em 2005, o longa de Sofia Coppola, Marie Antoniette, usou três canções do grupo (uma do álbum debut e duas do EP Pulling Our Weight – Keen on Boys, Pulling Our Weight e I Don’t Like It Like This) em sua trilha sonora, e o filme levou um Oscar.

Em 2006, lançaram o segundo trabalho chamado Pet Grief, apostando numa sonoridade mais eletrônica em substituição das distorções do primeiro. Assumiram a 7ª posição entre os 10 melhores do ano, também de acordo com a NME.

Curiosamente, os caras são conhecidos por uma aversão a grandes turnês, não são figurinhas recorrentes no line up dos grandes festivais – embora tenham passado pelo Coachella em 2011, que marcou um raríssimo tour pelos EUA –, e isso se deve a decisão consciente de se manterem discretos, distante do radar da “fama”. Ou seja, não é todo dia que a gente tem a sorte de conferir de perto a energia do trio nos palcos.

Como um dos principais grupos da gravadora de indie rock Labrador Records, O Radio Dept. se caracteriza por misturar elementos de rock alternativo com eletrônico, passando pelo vigor das distorções e efeitos sonoros até as melodias mais delicadas, num estilo mais conhecido como shoegaze – uma variação do dream pop. E é isso que o trio tem a nos oferecer em sua próxima apresentação pelo Brasil: criatividade harmônica, uma noite de bons sonhos e lirismo sueco de primeira.